domingo, 13 de maio de 2012

Lição 06 - As Estrelas

Caminhando rumo às Terras de Akodolan, Blaise passou pelo Vale de Rudenfar e resolveu visitar Milendara, amiga de velha data. Milendara convidou Blaise para passar a noite em sua casa e ele aceitou o convite.

Após a refeição da noite, Milendara convidou Blaise para ambos irem ao terraço admirar as estrelas.

- Olhar as estrelas me traz uma sensação interessante - disse Blaise.

- Não só a você, todos sentem algo diferente quando admiram as estrelas - afirmou Milendara.

- Por que será?

- Penso eu que o Mar de Estrelas que se descortina pelo céu nos dá uma sensação de imensidão, de liberdade frente a prisão que é este mundo. Veja você, Blaise. Já andou praticamente por todo este planeta, mas mesmo assim sua experiência de andanças ainda é ínfima perto da grandeza do cosmos.

- Tem razão, Milendara. Penso ser um homem viajado, conhecedor de muitas terras, muitas raças e muitas culturas. Mas, na verdade, sou somente um prisioneiro deste orbe. Não possuo a liberdade de ser uno com o Mar de Estrelas.

- Poderemos um dia navegar na imensidão do cosmos, Blaise?

Blaise não se apressou a responder. Ficou por vários momentos admirando as estrelas no céu. Então disse:

- A visão que o Mar de Estrelas nos traz dá a certeza de que existe muito mais no universo do que a vã realidade que daqui conhecemos. E, se o Mar de Estrelas a nós se apresenta, certamente não é para nos limitar a este planeta, mas sim para nos convidar a conhecer a imensidão do cosmos. Se não pudéssemos viajar por esta eternidade, o Mar de Estrelas não permitiria se mostrar a nós.

- Eternidade... - suspirou Milendara.

Blaise se levantou e disse:

- Vamos dormir, Milendara. Vamos sonhar com o Mar de Estrelas... E com a eternidade.

domingo, 6 de maio de 2012

Lição 05 - A Guerra

Blaise se reuniu com o Conselho da Federação das Cidades do Oeste. O Conde Blatoubas queria saber se Blaise estava disposto a lutar com eles contra o Reino de Ajurudamor. Blaise ouviu a proposta e pediu um dia para pensar. No final das contas, não queria lutar, pois entendia que aquela guerra não pertencia a ele.

- Então, porque veio até aqui se não está com vontade de lutar? - foi a pergunta que Drezen, paladino e velho amigo de Blaise, fez a ele.

- Queria saber se existia um motivo para mim lutar por vocês.

- E achou um motivo?

- Não, Drezen. Não achei.

Drezen suspirou. Achava que Blaise, outrora um guerreiro impávido e que não temia pegar a espada, andava filosofando mais do que lutando.

- Por que acha que devo pegar a espada, Drezen?

- Ninguém quer pegar a espada, Blaise. Nem eu. Mas precisamos fazê-lo, antes que o Rei de Ajurudamor concretize sua ameaça de tomar nossas minas de ferro.

Blaise suspirou.

- E por que entende que eu devo lutar, Drezen?

- Porque este é o teu caminho. Você não procura a guerra, mas a guerra o procura. E o verdadeiro guerreiro não pode negar a espada quando esta vem em seu caminho.

Drezen desembanhou sua espada e continuou:

- Estas minas de ferro são importantes para nós, e o Rei de Ajurudamor quer nos fazer um mal com este conflito que ele está fomentando. Se hoje nega sua espada ao combate do mal, continuará fazendo isso pelo resto dos seus dias caso perca a vontade de lutar. Venha conosco, Blaise. O verdadeiro guerreiro não pode deixar que a injustiça se faça presente em lugar nenhum. O seu compromisso é com a verdade e a justiça, e se a injustiça se faz presente, esta guerra automaticamente se torna um problema também seu.

Blaise aceitou o pedido de Drezen e foi guerrear junto a ele.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Lição 04 - O Julgamento

Após uma oferta do sábio ancião Berengolas de Hakadeneu, Blaise tomou parte em uma turma de assalto que tinha como objetivo libertar a vila de Kuradan das garras de um cruel tirano. A turma de assalto, com muito esforço, conseguiu libertar Kuradan, mas Blaise caiu gravemente ferido em combate.

Após uma investigação, Berengolas descobriu que o anão Judente era um agente duplo a serviço do inimigo, e graças às informações privilegiadas que ele passou para o adversário, o mesmo pode preparar a emboscada que vitimou Blaise.

Após várias semanas convalescendo, Blaise se recuperou e foi colocado frente-a-frente com Judente, que foi mantido preso por todo aquele tempo. Formou-se um tribunal e Urugel, um dos mais valorosos guerreiros do grupo, disse:

- A tradição diz que o traidor deve ser julgado por aquele que foi vitimado por seu perjúrio. Como Blaise quase perdeu sua vida em função da traição de Judente, deve ser ele a decidir o destino do réu.

Blaise não estava calmo. Pelo contrário, estava furioso e nem um pouco disposto a perdoar o anão pelo ato que cometeu. Pegou sua espada e a apontou em direção ao pescoço de Judente, disposto a decapitá-lo ali mesmo. Então olhou para Berengolas, que a tudo observava em silêncio, e proclamou:

- Acha certo que eu tire a vida dele, Berengolas?

Berengolas veio andando até os dois e disse:

- Você está transpirando ódio. Está fora de seu equilíbrio. E qualquer decisão que tomar neste instante será sempre a decisão errada.

Blaise emudeceu. Judente começou a chorar. Berengolas então perguntou a Judente:

- Filho, por que fez isso?

Judente, que nada tinha falado desde o dia em que foi preso, finalmente desabafou:

- Os tiranos raptaram meu filho. E me obrigaram a trair a turma de assalto, caso contrário, matariam o menino. Mas de nada adiantou, pois mesmo eu tendo auxiliado-os, o garoto foi morto quando viram que a derrota era iminente.

Judente caiu no chão, em prantos, e Berengolas olhou para Blaise:

- Veja Blaise, nem tudo é tão simples quanto possa parecer.

Blaise embanhou sua espada e deu o assunto por encerrado.

sábado, 28 de abril de 2012

Lição 03 - O Fim

Blaise viajava pela Baía de Bradeneya. A um dado momento, sentou-se à areia da praia e pôs-se a admirar a imensidão do mar. Ao seu lado estava Ongoros, o Elfo.

- Que maravilha é este mar. Não concorda comigo, Ongoros?

- Concordo.

- Após uma semana de tantas aventuras e tantos perigos, nada melhor que sentar aqui e apreciar o infinito. Admirar algo sem fim nos ajuda a relaxar.

- Tudo tem um fim, Blaise - retrucou Ongoros.

- Você pensa assim?

- Não é uma questão de achar. É a lei natural das coisas. Tudo tem um começo e um fim. Em algum lugar este mar encontra uma costa e encerra sua grandeza.

- É disso que falava? Achei que você dizia que um dia o mar irá acabar. O que você pensa? Talvez, um dia o mundo inteiro pode vir a acabar.

Ongoros fitou seus olhos nas primeiras estrelas que anunciavam a chegada da noite. Após uns momentos, olhou para a areia e disse:

- O começo e o fim existe em todas as dimensões. O mar tem duração finita nas três coordenadas convencionais, e também na coordenada temporal. O mar se limita não só pela largura, pela altura e pelo comprimento, mas também pelo tempo. Aliás, não só o mar, mas também você, eu, e todo este mundo.

- Você acha então que o mundo um dia irá acabar? - perguntou Blaise.

- Não acho, é uma certeza. É a lei natural das coisas.

- E podemos fazer algo para impedir isso?

- Talvez não. Porém, da mesma maneira que as ondas do mar transcendem a linha da costa, podemos também transcender as limitações que as coordenadas dimensionais nos impõem dia após dia.

E continuaram a admirar o mar, enquanto lá ele ainda estava para ser admirado.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Lição 02 - A Flor

Blaise andava pela estrada de Gurudon. A mesma passava por um lindo campo cheio de flores. Uma flor chamou a atenção de Blaise e ele passou a admirá-la.

- Que belo exemplar de preciosidade vindo da natureza - disse para si mesmo.

- Que bom que você gostou de mim - respondeu a flor.

Blaise olhou para a flor com uma expressão de assombro:

- Uma flor falante?

- Sim. Minha missão é embelezar este caminho e lembrar aos corações que só o amor vence as trevas.

Blaise, intrigado, resolveu testar sua interlocutora:

- E por que devo acreditar em uma flor falante?

- Deve acreditar em mim porque te falo uma verdade. Pode parecer estranho para sua mente ver uma flor falando, mas acredite em mim pelas verdades que digo. Existem tantas pessoas de carne e osso que dizem mentiras e nelas você acredita, não é mesmo? O que vale mais neste caso, a aparência ou a verdade de suas palavras?

- Bela conclusão.

- Acredite em mim, Blaise. E eu acreditarei em você.

- Que bom que sabe o meu nome. E o seu, qual é?

- Sou Juleakara.

A flor foi se transformando e tomou a forma de uma bela mulher. Blaise observou e disse:

- Juleakara, a mensageira das ninfas.

Juleakara sorriu e desapareceu no ar. E Blaise seguiu seu caminho.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lição 01 - A Espada

Blaise percorria o escuro caminho que o levaria à cidade de Bekatien. Estava só, com sua espada e sua sacola de provisões. Um poderoso nobre estava a recrutar guerreiros para uma grande campanha contra a Nação dos Orcs Cinzentos, e estava disposto a bem pagar.

Foi quando Blaise ouviu gritos vindos da penumbra que se estendia por detrás de uma árvore iluminada pelo luar. Sorrateiramente surpreendeu um marginal que tentava assaltar uma pobre donzela. Blaise feriu o marginal e permitiu que ele se disperssasse. Então, acompanhou a donzela indefesa até os portões de Bekatien.

Andando pela cidade, informou-se sobre as intenções do Conde Grandasta em se aventurar numa campanha bélica contra os Orcs Cinzentos. Algo no discurso reinante entre os habitantes da cidade o incomodou. Um velho então dele se aproximou:

- O que te incomoda, Blaise?

- Como sabe meu nome?

- Sei mais de ti do que imagina.

Blaise fixou seu olhar e finalmente o reconheceu no velho o Mago Fenerten, seu antigo aliado de muitas aventuras.

- O que pensa sobre a guerra que Grandasta deseja realizar?

- Penso que tua espada é o espelho de teu coração. Quando, há pouco, salvou a donzela na estrada, não tirou a vida do meliante. Sua espada te dava poder, mas não abusou do poder que tinha. E o que Grandasta deseja com essa guerra? Sua espada, que sempre foi a expressão do seu caratér, irá se envolver em um derramamento de sangue que não diz respeito ao seu coração?

- Tem razão. Não posso me vender, pois sou tudo que tenho, e se vender meu caráter, venderei não só minha alma juntamente, mas estarei enganando a mim mesmo e eternamente estarei preso a tal desonra.

- Então, Blaise, use sua espada tal como usa seu coração. Que o poder que tua espada te traz, seja uma expressão do poder de teu coração, que eu sei que imenso é.

E Blaise foi embora de Bekatien imediatamente.

Prólogo

Este blog contará um pouco da história de Blaise Makolodan, um guerreiro errante em suas viagens pelas Terras de Holeton, um mundo com características medievais que permitem ao nosso herói uma incursão ao seu próprio âmago e aos seus próprios paradigmas de vida.

Personagens entrarão, personagens sairão, sempre ajudando Blaise em sua busca por algo que fora dele não está.